Fragmento
“As abelhas constroem estruturas de equilíbrio e sobrevivência.
Da fragilidade da cera nasce uma arquitetura coletiva, precisa e orgânica, onde cada elemento depende do outro para existir.
Quando a colmeia se quebra, fragmenta-se também a ideia de unidade, de abrigo e de vínculo.
O colapso dessa estrutura torna-se metáfora de um mundo atravessado pela desagregação, pela violência e pela perda de sentido.
Nesta exposição, a fragmentação transforma-se em matéria, gesto e corpo.
Cada obra surge como vestígio de uma forma interrompida — fragmentos que resistem ao desaparecimento e procuram reconstruir uma possibilidade de presença.
Entre ruína e recomposição, as obras convocam o olhar para aquilo que permanece frágil, vulnerável e essencial.”
José Teixeita Ribeiro

Este pequeno fragmento cerâmico é um dos 100 elementos que constituem o painel em grés cerâmico, obra central da exposição. Representam os exagonos de uma colmeia.

Em Fragmento, José Ribeiro apresenta um conjunto de obras onde matéria e transformação se encontram.
A colmeia surge como um ponto de partida. A sua estrutura, feita de repetição e equilíbrio, é deslocada para o universo do artista. Fragmentos de colmeias, objetos encontrados e diferentes materiais são transformados em novas formas, onde aquilo que foi separado passa a estabelecer outras relações.
A exposição reúne pintura, escultura, cerâmica, vidro e instalação, explorando a tensão entre destruição e transformação, entre o fragmento e o conjunto, entre a fragilidade e a permanência. A abelha e a colmeia atravessam este universo como imagens de uma estrutura coletiva e vulnerável.
O percurso expositivo é parte integrante da experiência. As obras são acompanhadas por frases breves, inscritas no espaço, que introduzem ideias de divisão, dispersão, colisão, relação e transformação. Não procuram explicar as obras, mas criar uma outra camada de leitura e acompanhar o visitante ao longo do percurso.
A exposição inclui ainda um momento de performance, onde o corpo, o movimento e a ação introduzem uma dimensão temporal e efémera no interior deste universo fragmentado.
José Ribeiro trabalha a matéria através da transformação e do deslocamento. Em Fragmento, cada obra parte de algo que existiu antes para construir outra possibilidade de forma e de significado.
Não se trata de reconstruir o que foi perdido, mas de observar o que pode nascer daquilo que se fragmentou.
O curador – Carlos Moura Carvalho
Fragmento


